18 de junho de 2024

Manifestantes israelenses exigem acordo de libertação de reféns



Depois de, nesta segunda-feira (3), as autoridades israelenses terem confirmado a morte de mais quatro reféns do Hamas, incluindo três idosos, vários manifestantes juntaram-se em frente à sede das Forças de Defesa de Israel em Tel Aviv. Eles exigem um acordo imediato para a libertação dos reféns que ainda estão em poder do grupo.

Nas redes sociais circulam imagens de centenas de manifestantes, bloqueando a Via Rápida de Ayalon e acendendo uma fogueira no meio da estrada, nessa segunda-feira à noite. Dezenas de pessoas saíram à rua para protestar e exigir um acordo de libertação dos reféns, de acordo com o Movimento Pró-Democracia Antigovernamental.

Juntando-se aos protestos, a mãe de um refém israelense disse, na manifestação, que a confirmação das quatro mortes é “prova inequívoca” de que são os resultados da pressão militar. “Nós recuperamos [os reféns] mortos”.

Outro parente de um refém do Hamas, citado pelo Times of Israel, apelou para que os manifestantes saiam às ruas em protesto.

“O governo continua a abandonar os reféns, que estão a ser assassinados em cativeiro. O sangue está nas mãos do [primeiro-ministro Benjamin] Netanyahu e do governo. Já existem centenas de pessoas na rua. Vão para as ruas. Essas vidas devem ser salvas”.

Os protestos mantiveram-se até as primeiras horas de hoje, tendo sido multados pela polícia israelense cerca de uma dezena de manifestantes. Segundo um movimento de vigilância da violência policial, dois ativistas que estavam nas ruas contestaram as multas e acabaram por ser “violentamente” detidos.

“Não nos deixem envelhecer aqui”

As autoridades militares israelenses confirmaram a morte de mais quatro reféns do Hamas, incluindo três homens idosos que tinham sido vistos num vídeo do grupo islâmico palestino a implorar pela sua libertação. Amiram Cooper, Yoram Metzger e Haim Peri tinham todos acima de 80 anos, parecendo fracos e preocupados num vídeo divulgado em dezembro pelo Hamas sob o título “Não nos deixem envelhecer aqui”, no qual diziam ter doenças crónicas e acusando Israel de os ter abandonado.

O quarto refém foi identificado como Nadav Popplewell, um cidadão israelense-britânico de 51 anos, cuja morte foi confirmada pelas autoridades israelenses e pelo kibutz Nirim, onde residia. Horas antes de anunciar a sua morte, em maio, as Brigadas al-Qassam, braço armado do Hamas, divulgaram  vídeo no qual aparecia comunicativo, embora tivesse um grande hematoma no olho direito. Poppelewell foi sequestrado em casa durante os ataques do Hamas no sul de Israel em 7 de outubro, com a mãe, Channah Peri, de 79 anos, que foi libertada durante a trégua de uma semana alcançada em novembro. Também o irmão Roi morreu durante os ataques do Hamas, de acordo com a imprensa israelense.

O porta-voz das IDF informou, em entrevista, que não foi possível confirmar as circunstâncias da morte dos quatro reféns israelenses, mas que iam ser apuradas. Daniel Hagari disse ainda que os quatro homens morreram juntos na cidade de Khan Yunis, no sul da Faixa de Gaza, durante operações israelense na região.“Estamos verificando todas as alternativas”, disse Hagari, acrescentando que “há muitas perguntas”.

Desgosto

Após a confirmação das mortes, o Fórum das Famílias de Reféns divulgou nota expressando “desgosto” com a notícia, que disse que deveria “abalar todos os cidadãos do Estado de Israel e suscitar profundo exame de consciência em todos os líderes”.

“Haim, Yoram, Amiram e Nadav foram sequestrados vivos, alguns deles estavam com outros reféns que foram libertados no acordo anterior, e deveriam ter voltado vivos para casa, para o seu país e as suas famílias”, lê-se no comunicado, onde apelam ao governo de Israel para aceitar imediatamente um acordo de libertação dos demais reféns.

As mortes somam-se à crescente lista de reféns que, de acordo com dados de Tel Aviv, morreram em cativeiro. No dia 7 de outubro, o Hamas levou cerca de 250 reféns para a Faixa de Gaza e cerca de metade foi libertada durante o breve cessar-fogo em novembro. Dos cerca de 130 reféns restantes, acredita-se que 85 ainda estejam vivos.

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