30 de maio de 2024

Grande número de doentes internados na Europa contrai infecções



Todos os anos, 4,3 milhões de doentes internados em hospitais de países da União Europeia (UE) e do Espaço Econômico Europeu (EEE) contraem pelo menos uma infecção associada aos cuidados de saúde durante a internação.

Dados divulgados nesta segunda-feira (6) fazem parte do terceiro Inquérito de Prevalência Pontual das Infeções Associadas a Cuidados de Saúde (IACS) e dos antimicrobianos em hospitais de cuidados agudos, coordenado pelo Centro Europeu de Prevenção e Controle das Doenças (ECDC).

“As infecções associadas aos cuidados de saúde representam desafio significativo para a segurança dos doentes nos hospitais de toda a Europa”, destaca o ECDC, que divulgou os resultados da pesquisa para assinalar o Dia Mundial da Higiene da Mãos (5 de maio).

Para a organização de saúde, os números “realçam a necessidade urgente de novas ações para mitigar essa ameaça”.

A diretora do ECDC, Andrea Ammon, defende que ao dar “prioridade às políticas e práticas de prevenção e controle de infecções”, assim como à gestão de antimicrobianos e à melhoria da vigilância, pode-se combater “eficazmente a propagação dessas infeções e proteger a saúde dos doentes em toda a UE/EEE”.

Em 2022-2023, a covid-19, associada aos cuidados de saúde, contribuiu de forma significativa para o aumento do peso dessas infecções, comparativamente com o inquérito anterior (2016-2017).

O SARS-CoV-2, o vírus responsável pela covid-19, foi classificado como o quarto microrganismo mais comum nas IACS.

De acordo com os dados, as infecções do trato respiratório, incluindo a pneumonia e a covid-19, representaram quase um terço de todos os casos notificados, seguidas das infecções do trato urinário, do local da cirurgia, da corrente sanguínea e das infeções gastrointestinais.

Também foi observado um aumento no uso de antimicrobianos em comparação com pesquisas anteriores. No estudo de 2022-2023, 35,5% dos doentes receberam pelo menos um agente antimicrobiano, contra 32,9% no estudo anterior (2016-2017).

Em qualquer dia, cerca de 390 mil doentes hospitalizados na União Europeia e no Espaço Econômico Europeu recebem pelo menos um agente antimicrobiano, diz o Centro de Controle de Doenças, considerando “particularmente preocupante o fato de um em cada três microrganismos detectados nas pesquisas serem bactérias resistentes a antibióticos importantes, limitando assim as opções de tratamento dos doentes infectados”.

De acordo com o estudo, pelo menos 20% das infecções associadas a cuidados de saúde são consideradas evitáveis por meio de programas sustentados e multifacetados de prevenção e controle das infeções (PCI).

As medidas de PCI são mais eficazes quando fazem parte de estratégias de implementação multimodais, combinando elementos como a educação, bem como a monitorização e o feedback.

“Medidas simples, como a higiene das mãos e a disponibilização de dispensadores de gel à base de álcool na cabeceira das camas, podem diminuir consideravelmente o número de IACS”, afirma a organização.

Defende ainda que intervenções mais complexas, como a garantia de um número adequado de quartos individuais e de pessoal especializado em PCI, também desempenham um papel crucial na prevenção das IACS.

Verificou-se uma variação significativa na implementação de programas de PCI nos hospitais europeus, o que indica a necessidade de práticas normalizadas e de esforços acrescidos para melhorar o cumprimento das medidas de programas de prevenção e controlo das infeções.

Os resultados do inquérito também destacam a importância da implementação de medidas preventivas para as infecções virais respiratórias em contextos de cuidados de saúde.

Essas medidas incluem a realização de testes precoces para o diagnóstico, seguidos da aplicação de precauções baseadas na transmissão, bem como, durante períodos de elevada prevalência de casos na comunidade, a consideração do uso de máscara em todo o contexto dos cuidados de saúde.

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