16 de junho de 2024

Foz do Iguaçu intensifica implementação do Método Wolbachia no município

Após capacitações, profissionais repassam informações ao público para promover um engajamento comunitário

Foz do Iguaçu reforça neste mês de maio os trabalhos para implantação da Wolbachia, sendo uma das cidades selecionadas pelo Ministério da Saúde para receber a metodologia, com foco em reduzir a transmissão da dengue e outras arboviroses. O estudo consiste na liberação de mosquitos Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia, que impede que os vírus da dengue, zika e chikungunya se desenvolvam no mosquito, reduzindo assim a transmissão de doenças.

A implementação do Método Wolbachia em Foz contempla os seguintes bairros: Caic, Campos do Iguaçu, Cidade Nova, Jardim América, Jardim São Paulo 1, Jardim São Paulo 2, Lagoa Dourada, Morumbi 1, Morumbi 3, Ouro Verde, Portal da Foz, Porto Belo, Profilurb 1, Profilurb 2, São João, Sol de Maio, Três Lagoas, Vila C Nova e Vila C Velha.

Nas áreas de atuação, são realizadas diversas capacitações juntamente com os profissionais de saúde, educação e outros parceiros na região para levar informações sobre o método até a população. A iniciativa do World Mosquito Program (WMP) é conduzida no Brasil pela Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), com financiamento do Ministério da Saúde e em parceria com a Prefeitura Municipal e Governo do Estado.

Após as capacitações, os profissionais irão repassar as informações para os públicos com os quais estão envolvidos e assim participando ativamente do engajamento comunitário, estas atividades de envolvimento da população e divulgação do Método Wolbachia precedem quaisquer liberações de mosquitos em campo. Somente ao final desta etapa é realizada uma consulta com a população local, onde, em seguida, é iniciado a liberação dos mosquitos Aedes aegypti com Wolbachia, os “Wolbitos”, como são chamados.

Para o Líder de Operações do WMP Brasil, Gabriel Sylvestre, a população é parte natural e fundamental em todo o processo de implementação. “O Método Wolbachia tem como base a redução da transmissão local de arboviroses, como dengue, Zika e chikungunya. Como liberamos mosquitos contendo Wolbachia, temos como pressuposto o envolvimento dos moradores das áreas contempladas, com o máximo de clareza e agilidade, pretendemos levar informações sobre o método”, explica.

Após a conclusão dos serviços para a adequação do espaço que servirá como biofábrica local, é dado início à produção e liberação dos “Wolbitos”. A expectativa é que as liberações comecem no mês de julho deste ano.

Para entender o Método Wolbachia

O Método Wolbachia compreende a liberação do Aedes aegypti com Wolbachia para que se reproduzam com os Aedes aegypti locais, gerando assim uma nova população destes mosquitos, todos com Wolbachia. Os Wolbitos, como são chamados, não são transgênicos e não transmitem doenças.

A Wolbachia é um microrganismo intracelular presente em 50% dos insetos da natureza, mas que não estava presente no Aedes aegypti. Quando presente nestes mosquitos, ela impede que os vírus da dengue, Zika, chikungunya e febre amarela se desenvolvam dentro do mosquito, contribuindo para redução destas doenças.

Uma vez que os mosquitos com Wolbachia são liberados no ambiente, eles se reproduzem com mosquitos de campo e ajudam a criar uma nova geração de mosquitos com Wolbachia. Com o tempo, a porcentagem de mosquitos que carregam a Wolbachia aumenta, até que permaneça alta sem a necessidade de novas liberações.

Mas atenção! Os mosquitos Aedes aegypti com Wolbachia não são modificados geneticamente. Também não se deve utilizar a expressão Aedes do Bem (ou mosquitos do bem), pois se trata da marca registrada de outra técnica, diferente do Método Wolbachia.

Com informações: Assessoria WMP/Fiocruz

Foto: Thiago Dutra